(Efésios 4.11–16)
Há algo curioso na vida que sempre nos chama a atenção: a rapidez com que as crianças crescem. Quem convive de perto percebe isso com clareza. De um momento para o outro, aquilo que parecia pequeno, dependente e limitado começa a se desenvolver, amadurecer e assumir novas responsabilidades.
Esse crescimento é esperado. Ninguém se alegra quando uma criança não cresce. Pelo contrário, isso gera preocupação. O crescimento é parte natural da vida.
Mas quando olhamos para a vida espiritual, precisamos fazer uma pergunta honesta: como está o nosso crescimento diante de Deus? Desde o nosso novo nascimento, temos avançado? Temos amadurecido? Ou permanecemos estagnados?
O apóstolo Paulo, em Efésios 4.11–16, nos conduz exatamente a essa reflexão. Ele nos mostra que a vida cristã não foi planejada para permanecer na imaturidade. Fomos chamados para crescer.
Nesse trecho, Paulo apresenta a estrutura do cuidado de Deus com a Igreja. Ele mostra que o próprio Cristo concedeu dons e ministérios (apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres) com um propósito claro: o aperfeiçoamento dos santos.
Ou seja, não estamos largados à própria sorte. Há um projeto divino em andamento. Deus não apenas nos salvou, mas também está comprometido com o nosso crescimento.
Esse crescimento não é opcional. Ele faz parte da própria natureza da vida cristã. E o objetivo é muito claro: chegar à maturidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Diante disso, podemos resumir a mensagem do texto da seguinte forma:
Fomos chamados a deixar a imaturidade e crescer até a maturidade cristã.
1. Fazer uso dos dons que Deus nos deu
O primeiro passo no processo de maturidade cristã é entender que Deus não apenas nos salvou, mas também nos capacitou. Todo crente recebeu dons. Ninguém está vazio, ninguém está sem utilidade no corpo de Cristo.
Esses dons não foram dados para autopromoção, mas para serviço. Eles existem para edificação da Igreja. Quando cada membro exerce sua função, o corpo cresce de forma saudável.
Infelizmente, existem visões equivocadas sobre a igreja. Alguns a enxergam como uma pirâmide, onde poucos fazem tudo e muitos apenas observam. Outros a veem como um ônibus, onde poucos “dirigem” e o restante apenas é levado.
Mas a Bíblia apresenta outro modelo: um corpo vivo, onde cada membro tem função ativa. Isso nos leva a uma verdade direta: não há espaço, na igreja, para uma fé sem compromisso. Todo cristão foi chamado para servir.
Deus nos colocou no corpo com propósito. Precisamos descobrir nossos dons e, mais do que isso, colocá-los em prática. A maturidade cristã começa quando deixamos de ser espectadores e passamos a ser participantes ativos da obra de Deus.
2. Entender o quão importante é servir
O crescimento espiritual está diretamente ligado ao serviço. No Reino de Deus, maturidade não se mede por quanto sabemos, mas por como servimos, como reagimos, como nos motivamos, como perseveramos.
Todo cristão é, essencialmente, um ministro. Não no sentido formal, mas no sentido bíblico: alguém capacitado por Deus para servir ao outro.
A igreja é uma construção em andamento. E cada um de nós faz parte dessa obra. Quando servimos, contribuímos para o crescimento coletivo. Nosso serviço fortalece, edifica e aperfeiçoa o corpo. Além disso, o serviço tem um efeito duplo: enquanto edificamos os outros, também somos edificados.
Servir não é opcional. É parte essencial da vida cristã.
Quando nos colocamos à disposição de Deus, experimentamos crescimento real. O serviço no Reino nos tira da superficialidade e nos conduz à maturidade. Ele nos ensina a amar, a perseverar, a depender de Deus e a olhar para além de nós mesmos.
Se queremos crescer, precisamos servir.
3. Almejar a plenitude de Cristo
O objetivo final do crescimento cristão é claro: a maturidade em Cristo.
Paulo afirma que devemos chegar à medida da estatura da plenitude de Cristo. Isso não significa perfeição absoluta, mas um processo contínuo de transformação, no qual nos tornamos cada vez mais parecidos com Jesus.
E aqui está um ponto essencial: essa obra não começa em nós, nem depende exclusivamente de nós. É Cristo quem aperfeiçoa. Foi Ele quem nos chamou, e é Ele quem nos sustenta no caminho.
No entanto, isso não elimina a nossa responsabilidade. Pelo contrário, exige de nós uma postura madura. Não podemos viver como crianças espirituais, levados por qualquer vento de doutrina, influenciados por qualquer circunstância, reagindo às situações de forma inconsequente e precipitada.
Pelo contrário, a maturidade cristã envolve prudência, firmeza e crescimento no conhecimento de Deus.
Quando avançamos nessa maturidade, nos tornamos mais firmes. Não somos facilmente derrubados pelas dificuldades, nem levados por enganos. Passamos a desejar, de forma crescente, sermos mais parecidos com Cristo. E isso se reflete em nossas decisões, atitudes e prioridades.
Esse processo envolve disciplina, busca intencional e submissão à vontade de Deus. Precisamos usar aquilo que Deus nos deu (nossas capacidades, nossos dons) para viver de acordo com a vontade de Cristo, que é o cabeça da Igreja.
Ele nos chama, caminha conosco e nos transforma. Mas espera de nós uma resposta responsável, madura e comprometida.
Conclusão
Efésios 4 nos confronta com uma realidade que não pode ser ignorada: a vida cristã exige crescimento.
Não fomos chamados para permanecer como crianças espirituais. Fomos chamados para amadurecer, servir e refletir o caráter de Cristo. Isso significa assumir uma postura mais séria diante da fé. Significa abandonar a passividade e buscar crescimento intencional.
Cristo já fez a obra maior: Ele nos chamou, nos salvou e continua operando em nós. Ele está conosco no processo. Mas esse caminho exige de nós decisão. Em outras palavras:
Já passou o tempo de imaturidade.
Já passou o tempo de apenas observar.
É tempo de crescer.
É tempo de servir.
É tempo de viver com maturidade diante de Deus.
E, nesse processo, seguimos firmes, sabendo que Aquele que nos chamou é fiel para nos aperfeiçoar até o fim.
Rev. Aldo Marcos Teixeira